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Por que nos sentimos bem na natureza?

O que antes parecia ser apenas uma intuição ou um senso comum, hoje em dia, já está sendo comprovado através de estudos e mais estudos: a conexão do ser humano com a natureza traz muitas vantagens para a nossa saúde física e mental.

Entre pesquisas envolvendo centenas de crianças dinamarquesas e estudos da integração do espaço verde no cenário urbano, essa reconciliação do homem com o meio ambiente desperta cada vez mais o interesse de profissionais das mais diversas áreas, entre eles neurocientistas e economistas.

O corpo agradece

A influência da natureza ajuda a recuperar nosso cérebro da fadiga causada pelo modo multitarefa em que nos encontramos vivendo em grandes centros urbanos. Essa pequena pausa de pensar em trabalho, estudos, etc., melhora nosso desempenho e a satisfação.

Ao estabelecemos nossa rotina integrada a atividades que possam ser praticadas ao ar livre e em contato meio ambiente, são inúmeras as mudanças que sentimos. Algumas delas são físicas e fáceis de notar. Outras, por outro lado, aparecem em estudos mais complexos e estão ligadas à prevenção de várias doenças modernas.

Entre as vantagens que o contato com a natureza pode proporcionar estão:

  • Melhorias no funcionamento do sistema nervoso central;
  • Condições cardíacas mais balanceadas;
  • Redução de distúrbios intestinais;
  • Diminuição dos níveis de Cortisol, o hormônio causador do stress;
  • Regulação da pressão sanguínea;
  • Aumento de imunidade a doenças como hipertensão e taquicardia;
  • Redução das chances de desenvolver problemas de visão, como miopia e hipermetropia.
  • Menor fadiga e menores chances de sofrer de obesidade.

Os benefícios da luz natural

Quando dizemos que precisamos “sair no sol para pegar um pouco de Vitamina D” estamos mais do que certos!

A exposição à luz natural só traz benefícios para o funcionamento do nosso corpo. Ela ajuda a regular nossa produção de Melatonina, o hormônio que controla nosso relógio-interno e nos deixa sonolentos ao longo do dia. Na dose certa, a Melatonina nos garante uma noite de sono com mais qualidade e, consequentemente, acordar renovados.

Além disso, a Vitamina D ajuda na absorção de cálcio, o que é ótimo para saúde dos ossos e dentes. Ela também ajuda a melhor nosso humor e reduz o risco de males como:

  • câncer
  • doenças cardíacas
  • infarto
  • diabetes
  • entre outros

Natureza e o bem-estar mental

O sentimento de bem-estar quando caminhamos ao ar livre e respiramos ar puro é comprovadamente uma maneira de cuidar de nós mesmos. Os níveis de oxigênio em nosso cérebro estão diretamente ligados ao neurotransmissor Serotonina, responsável por afetar nosso humor, apetite, memória, comportamento social, entre outros.

Muita serotonina nos deixar irritados e tensos, enquanto baixos níveis podem levar à depressão. Sendo assim, respirar ar puro ajuda a regular essa relação e promove a sensação de felicidade e bem-estar.

No entanto, esse é um dos muitos benefícios que um simples passeio pela natureza pode oferecer para a nossa saúde mental.

Além de estimular as funções de memória, foco, imaginação e criatividade, brincar ao ar livre proporciona a crianças, por exemplo, uma sensação de liberdade, livrando seus cérebros, momentaneamente, dos constantes estímulos da cidade.

O mesmo acontece para pessoas com transtornos da mente.

Nos casos de pacientes de DDA (Distúrbio de Déficit de Atenção), um ambiente mais natural e aberto alivia um pouco da pressão e estímulos que levam à falta de concentração.

Em pacientes com Alzheimer, lugares abertos e com diversidade de plantas, cores, cheiros e disposição, causam situações positivas. O mesmo vale para pacientes com depressão, proporcionando uma distração tranquila.

Espaço urbano e a sintonia com a natureza

Pesquisadores analisaram uma série de estudos sobre economia, saúde e meio ambiente para sugerir que o mesmo potencial de interação humana que torna as cidades atraentes para produtividade, criatividade e inovação, contribui cada vez mais para o fenômeno de “penalidade psicológica urbana”, representado pelo aumento do stress e dos transtornos mentais.

A partir disso, surgiram algumas correntes propondo a reestruturação do cenário dos grandes centros, para que estejam aptos a incorporar ao máximo áreas vivas e naturais, como o design biofílico, por exemplo.

Essa é uma vertente baseada no conceito da Biofilia, termo popularizado por Edward Osborn Wilson, em um livro com mesmo nome. Na publicação, de 1984, o autor descreve a Biofilia como uma “tendência natural a voltarmos nossa atenção às coisas vivas”.

No entanto, é interessante notar que novos estudos já apontam que a qualidade do espaço verde é tão ou mais importante do que a quantidade em si. Apesar de a simples presença de parques e espaços abertos já servir para trazer benefícios à saúde mental de uma vizinhança, a pesquisa apontou que residentes de bairros com melhores qualidades de parques eram mais suscetíveis a apresentarem baixos níveis de distúrbios psicológicos.

Obviamente, todos os estudos e pesquisas levam em consideração a situação socioeconômica das áreas avaliadas e das pessoas que lá habitam. Mas essa é mais uma questão que levanta o poder do meio-ambiente.

À sua maneira, a natureza é democrática e pode trazer benefícios a qualquer um, não importando raça, credo e, muito menos, classe social.

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