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A ascensão da Indústria Farmacêutica

A indústria farmacêutica é uma das maiores potências comerciais do século e a grande responsável por guiar o desenvolvimento de áreas como a medicina, a biotecnologia e o campo farmacológico.

No entanto, a história nem sempre foi assim.

Doença e cura

Antigamente, os “remédios” que estavam à disposição da população eram, em sua maioria, de origem natural e, muitas vezes, de propriedades desconhecidas. Não havia uma metodologia para padronizar esses produtos e muito menos a iniciativa de criar um sistema de em busca de novas curas.

Nessa época, novas drogas eram descobertas identificando ingredientes ativos de remédios já tradicionais ou então pelo mero acaso.

Crescimento da indústria farmacêutica

Com o avanço tecnológico refletindo-se nas áreas da saúde, a introdução de um método científico foi possível e, após 1940, o mercado recebeu uma quantidade significativa de novos fármacos. Muitos desses, inclusive, já ofereciam cura para doenças infecciosas e que, até o momento, ainda eram consideradas fatais.

Essa “demonstração de poder”, apoiada pela forte propaganda criada pela indústria, era a receita de sucesso para conquistar a confiança da população e promover uma imagem exagerada dos benefícios dos medicamentos.

No final da década de 80, a indústria farmacêutica chegou a atingir um crescimento anual de 13%, superando, de longe, o crescimento médio da economia mundial, que girava em torno de 4%.

O poder da informação

Embora tenha criado um novo mercado de caráter revolucionário, a área de medicamentos sustenta uma questão debatida até hoje: a falta de informação disponibilizada pelas empresas que criam essas novas drogas.

Apesar de termos acesso ao método que define a criação de um novo medicamento, muitas informações ainda permanecem em sigilo. Essa omissão ajuda a sustentar a cultura hipocondríaca, formada pela promoção agressiva e distorcida das empresas farmacêuticas e que

afeta tanto a população quanto os profissionais de saúde, que dependem dessas drogas para exercerem seus trabalhos.

Entre os problemas mais comuns criados por esse sistema temos:

  • a escolha inadequada de medicamentos;
  • exposições indevidas a reações adversas que podem ser fatais;
  • aumento da resistência bacteriana e
  • aumento da automedicação.

A automedicação é uma epidemia pode trazer graves consequências para o Brasil, não só pelo risco que representa à saúde da população, mas também pelo desperdício de dinheiro por parte do indivíduo e das instituições com medicamentos inúteis e desnecessários.

Novos direcionamentos

Hoje em dia, graças à produção em escala industrial, os produtos farmacêuticos já deixaram de ser encarados como recursos ao tratamento para ocuparem um papel central na terapêutica, ao ponto de sua prescrição ser considerada praticamente obrigatória em consultas médicas.

Esse cenário despertou a atenção das autoridades. Em resposta ao consumo desenfreado de remédios, estudos de utilização dos medicamentos foram criados e inseridos na comunidade farmacêutica, com a intenção de detectar reações adversas, ineficácia do tratamento, efeitos colaterais, bem como a má utilização desses medicamentos.

Para reforçar esse posicionamento, surgiram os Centros de Informação de Medicamentos (CIMs), que têm como meta principal a promoção do uso racional de medicamentos.

Conclusão

Depois da explosão farmacológica, os órgãos de saúde parecem ter despertado para o risco que o uso indevido de medicação pode trazer para a população e para a economia.

Estudos dedicados à conscientização desse problema já recebem o suporte necessário, com o desenvolvimento de bancos de dados para o agrupamento de informações públicas sobre os critérios do uso adequado de medicamentos.

O objetivo principal é garantir que o tratamento medicamentoso, algo inegavelmente necessário para o avanço da medicina, não seja comprometido pelos males que seu uso abusivo pode trazer.

Esse é o mínimo que podemos fazer quando tratamos de uma indústria tão inserida na vida das pessoas e que exerce tanta influência sobre as políticas de saúde pública.

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