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Conscientização da violência contra Idoso

Entre os inúmeros entraves sociais que o Brasil vem enfrentando nos últimos anos, o aumento no índice de violência ao idoso chama a atenção.

Em levantamento realizado em 2017, o Ministério dos Direitos Humanos constatou mais de 33 mil casos de agressões a pessoas acima de 60 anos. Já este estudo publicado no Lancenet Global Health, também em 2017, afirma que 1 em cada 6 idosos sofre alguma forma de abuso.

Essa situação é preocupante, pois os números registrados já ultrapassam as estimativas anteriores e a previsão é que esse cenário piore ainda mais com a projeção do envelhecimento da população no mundo todo.

15 de Junho – data da conscientização

Em 2006, foi instituído o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa.

Essa iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Rede Internacional de Prevenção de Abusos contra Idosos, visa “sensibilizar a sociedade para o combate das diversas formas de violência cometidas contra a pessoa com idade igual ou superior a 60 anos”

Se pensarmos que, por lei, o idoso é considerado qualquer pessoa acima dos 60 anos, essa é uma grande parcela da população. Só no Estado de São Paulo, representam 14% dos habitantes. Além disso, dentro deste quadro, a faixa etária prevalecente (57%) está abaixo dos 70 anos. Ou seja, temos uma população de “jovens” idosos, ocupando posições relevantes na sociedade e cada vez mais ativos na comunidade.

Por essa perspectiva, os dados levantados em 2017 tornam-se ainda mais preocupantes.

Formas de Violência

Quando este assunto é abordado, a violência doméstica é a primeira coisa que nos vem à mente. Mas existem outras maneiras de causar sofrimento aos mais velhos, todas passíveis de denúncia ao Ministério da Saúde.

  • Física:
    Empurrões, tapas e chutes abalam corpo e mente e, por vezes, antecipam a morte do idoso
  • Psicológica:
    Gritos, insultos, ameaças e constrangimento levam à perda de dignidade, ansiedade e isolamento social da vítima
  • Negligência:
    Não atendimento às necessidades básicas da pessoa, como alimentação, higiene e medicamentos
  • Financeira:
    Uso indevido do dinheiro e a apropriação ilegal dos bens da pessoa sob cuidados

Além dessas, também devem ser notificadas as violências: sexual, patrimonial e moral. Assim como as lesões autoprovocadas e tentativas de suicídio, tráfico de seres humanos, negligência ou abandono e intervenção legal.

Causas

Entre os fatores mais comuns que levam aos maus tratos do idoso estão a falta de preparo do cuidador e o estresse da tarefa que, por muitas vezes, vem sobrecarregado com um sentimento de obrigação. Complexas questões afetivas, como filhos que foram abandonados ou maltratados e se veem diante da necessidade de cuidar desse pai ou dessa mãe, também contribuem para o aumento do quadro.

Pelo lado da vítima, muitos idosos não relatam as violências por vergonha de admitir uma situação de dependência, insegurança, medo de retaliações e até pela preocupação com possíveis penalidades ao abusador. Em outros casos, estas pessoas não sabem a quem recorrer ou como denunciar a situação.

Disque 100 para denunciar

Esse é o canal oficial da Secretaria de Direitos Humanos para o recebimento de queixas, encaminhamento e monitoramento de situações de maus-tratos aos idosos.

Vale lembrar que, hoje em dia, os indivíduos integrantes dessa faixa-etária seguem ativos e vivendo uma rotina comum; portanto, expostos à diversas formas de violência no seu dia a dia, no trabalho, nos espaços públicos, na vida amorosa e sexual. Os maus tratos não estão mais restritos à visão do idoso sem autonomia, acamados ou com dependência física e psicológica.

Sendo assim, este grupo necessita de políticas públicas adequadas às mudanças surgidas com o aumento da expectativa de vida e do seu papel na sociedade, como campanhas de conscientização, treinamento de profissionais de saúde e acompanhamento de cuidadores.

Dentro desta nova realidade, a notificação das violências tem-se mostrado como um dos principais fatores de mudança, ao dar suporte à construção dessas políticas públicas.

Uma questão global

A violência contra o idoso é um problema social de proporções mundiais e atinge quase 141 milhões de pessoas, podendo se intensificar nos próximos anos, por conta do aumento da expectativa de vida ao redor do mundo.

Mesmo assim, ainda é uma pauta pouco abordada em estudos e, constantemente, ofuscada na tabela de prioridades de políticas para a saúde pública, ainda mais se comparada a outros tipos de violência.

Um bom começo está na Estratégia Global e Plano de Ação da OMS sobre envelhecimento e saúde, aprovada na Assembleia Mundial de Saúde e posta em prática desde 2016.

Mas, para que essas medidas surtam efeito, a conscientização da população se torna uma peça fundamental.

Conclusão

A violência contra a pessoa idosa não deve ser vista apenas como proteção a um grupo específico da sociedade. Ela é uma questão muito mais sensível e que constitui um grande obstáculo para a plena realização de uma comunidade democrática: a igualdade de direitos a todos cidadãos, independente de cor, sexo, gênero, classe social e idade.

Esse fenômeno infeliz deve ser combatido pelo o que ele realmente é: um atentado aos direitos humanos e, principalmente, a nossa história.


Ajude nesta causa! Não fique calado.

Disque 100 e denuncie!


Fontes: 

https://www.mdh.gov.br/biblioteca/pessoa-idosa/manual-de-enfrentamento-a-violencia-contra-a-pessoa-idosa 

https://saude.abril.com.br/familia/chega-de-violencia-contra-o-idoso/ 

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5447:novo-estudo-revela-que-um-em-cada-seis-idosos-sofre-alguma-forma-de-abuso&Itemid=820 

https://www.thelancet.com/journals/langlo/article/PIIS2214-109X(17)30006-2/fulltext 

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