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Especial Dia do Estudante: ansiedade e vestibular

A adolescência é uma fase da vida em que tudo está em teste.

A famosa explosão hormonal faz com que mudanças ocorram nos aspectos físicos (como aparência e voz) e também nos campos dos interesses culturais e sociais.

O que realmente torna esse um período único é que esse redemoinho de novidades desabrocha sob um pano de fundo de incertezas. Novas interações sociais se estabelecem, seja no ambiente escolar ou fora dele. No entanto, a sensação de adaptação a um ecossistema completamente novo, com regras e normas de conduta coletiva, prontas para serem apontadas e julgadas caso não seguidas, torna essa fase um poço de ansiedade e insegurança.

As expectativas para se integrar em um padrão estabelecido por um consciente coletivo (em que ninguém ao certo sabe o que está fazendo), muitas vezes leva a graves consequências para a saúde mental.

Ambiente Escolar Estressante

A maneira como o sistema de ensino no país é baseada ajuda a reforçar a transição por esse período como uma bateria de testes. Avaliações, provas, exames. Tanta pressão e ansiedade afetam diretamente a saúde mental de milhões de jovens em uma fase crucial para a sua formação identitária como indivíduos.

Por essas razões o Brasil figura como um dos países com maior índice de estudantes estressados durante os estudos e segundo lugar no ranking dos ansiosos para prova, mesmo quando se preparam a avaliação.

Se tudo isso não fosse o suficiente, o ambiente escolar brasileiro se torna ainda mais estressante por conta do processo seletivo escolhido para definir o futuro profissional: o Vestibular.

Ansiedade para o Vestibular

No Brasil, a entrada em uma universidade está diretamente condicionada a realização do Exame Vestibular. Dentre os candidatos, um grande número não é aprovado, mesmo reunindo todas as condições de “conhecimento da matéria”.

Segundo uma pesquisa realizada por Geruza Tavares D’Avila e Dulce Helena Penna Soares, ambas da Universidade Federal de Santa Catarina, a ansiedade pode estar dentre as causas da não aprovação.

Entre os entrevistados, estudantes relataram os seguintes causadores para a inabilidade de se preparar devidamente para o processo seletivo: a dificuldade de concentração (assinalada por 52,5%), a inquietação (40,7%), as dores de cabeça (35,7%) e as musculares (25,6%) e as tonturas (14,3%).

O estudo também concluiu que esse quadro de ansiedade se manifesta mais intensamente nos meses antecedentes da prova, atrapalhando principalmente o período de estudo e acúmulo do conhecimento e, por consequência, a confiança na realização do teste.

No entanto, curiosamente, constatou-se que minutos antes do exame a maioria dos candidatos relata sensação de tranquilidade e despreocupação. “Isso sugere que os vestibulandos lancem mão do mecanismo de defesa da negação, precisando “negar” o seu estado de ansiedade e preocupação a fim de realizarem a prova menos ansiosos”.

O principal motivo a desencadear todos estes estados de ansiedade ou negação da mesma foi atribuído ao medo da reprovação e ao medo de decepcionar a família, no caso do fracasso.

Falta de preparo e assistência

Não à toa, países como Brasil, Colômbia e Costa Rica lideram os rankings de ansiedade entre estudantes, enquanto Holanda, Bélgica e Alemanha apresentam os menores índices na pesquisa.

A realidade socioeconômica reflete diretamente na pressão exercida para que o jovem garanta um “futuro melhor” através do estudo. O “fracasso” significa que dificilmente ele irá conseguir mudar sua realidade e, principalmente, de sua família.

Como vivemos em um país em que, independente da classe social, o estudo é considerado um sacrifício dos pais e não um direito da criança e do adolescente, a pressão de possivelmente não estar apto a corresponder ao esforço financeiro depositado pela família torna a passagem pela vida educacional um período cheio de medos, insegurança e pode ser prejudicial à uma saúde mental fragilizada.

Essa bomba relógio de ansiedade, culmina em um único dia, em que uma prova é capaz de decidir se todos esses anos se resultarão em sucesso ou fracasso: o exame vestibular.

Por isso, é cada vez mais urgente que haja um acompanhamento profissional desses alunos, auxiliando no papel psicológico, mas também na orientação da escolha da profissão.

Outro estudo, realizado por Patrícia Paggiaro e Sandra Calais, reflete sobre as manifestações de estresse e sua relação com a escolha profissional em jovens de cursos pré-vestibulares.

Na amostra, os resultados apontaram que além de 67,7% dos casos estarem relacionados ao estresse, 42,1% dos entrevistados indica a pouca informação sobre a profissão escolhida como um fator limitante e 64,6% demonstram insegurança na hora de escolher.

Conclusão

A informação e o conhecimento são sempre excelentes alternativas no combate à insegurança, ao medo e ao preconceito. Se pensarmos assim, poderemos oferecer um caminho mais responsável e livre de pressão aos nossos jovens ao longo de sua vida estudantil.

O fundamental é garantir que o aluno se sinta completamente amparado e equipado para enfrentar as escolhas que vão determinar o seu futuro, e de mais ninguém.


fontes:

fonte: https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/ansiedade-estresse-altos-escolas-brasileiras/ 

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-34822009000200004 

http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-33902003000100010 

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