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HIV/AIDS: Diagnóstico e questões emocionais

Graças aos avanços da medicina, a realidade de quem vive com HIV/AIDS mudou drasticamente nos últimos anos: medicações eficientes e bem toleradas, diagnósticos precoces, diminuição do estigma e existência de políticas de saúde eficientes.

No entanto, descobrir-se soropositivo ainda é um grande choque inicial para a grande maioria das pessoas.

A notícia do diagnóstico pode acabar por revelar inseguranças e medos que, na maior parte do tempo, procuramos esconder e ainda traz à tona questões que sequer vislumbrávamos antes da descoberta.

Apesar desse turbilhão de pensamentos e emoções, após receber um resultado positivo do HIV, não há outra opção: é preciso procurar um médico e iniciar os cuidados com a doença.

Buscando auxílio médico

Uma possibilidade interessante para pacientes que se descobrem soropositivos é procurar o Serviço de Assistência Especializada em HIV/AIDS (SAE), do Ministério da Saúde, com serviços ambulatoriais que vão desde assistência, prevenção até o próprio tratamento.

É possível encontrar esse apoio em hospitais, unidades básicas de saúde, postos de saúde, policlínicas, centros de serviços especializados e em ambulatórios.

Através desses locais, o Ministério da Saúde disponibiliza uma equipe médica que está preparada para lidar com as diversas facetas do problema, sendo possível obter consultas com:

  • médicos;
  • psicólogos;
  • enfermeiros;
  • nutricionistas;
  • assistentes sociais;
  • entre outros.

A intenção desses serviços é oferecer ao paciente uma maneira de aprender a conviver com sua condição, recebendo medicamentos gratuitamente e obtendo conselhos para a melhora de sua qualidade de vida, diminuindo os riscos para sua saúde.

A vida com HIV/AIDS

Importante explicar que o HIV é o vírus, mas a AIDS é a doença que surge a partir dele, por isso, nem sempre quem tem HIV terá a AIDS, principalmente se conseguir um diagnóstico precoce e começar o tratamento.

Mesmo assim, receber a notícia do diagnóstico é difícil, mas é importante que a pessoa saiba que é possível viver bem com o HIV e com a AIDS.

Seguindo as recomendações médicas e aderindo adequadamente ao tratamento, a vida do paciente é normal, inclusive no que diz respeito à qualidade de vida.

Aliás, graças aos avanços no tratamento e políticas públicas para esse público, uma pessoa com HIV possui a mesma expectativa de vida que pessoas que não têm o vírus. Em alguns casos, PVHA (Pessoas vivendo com HIV/AIDS) chegam a viver ainda mais que a média da população, pois vão mais ao médico, exercitam-se mais e cuidam-se mais, de modo geral.

Além disso, o soropositivo tem direitos garantidos, como o sigilo sobre sua condição, a gratuidade de atendimento médico, o combate ao preconceito, etc.

Lidando com as emoções

Segundo o Dr. Marcos Vinicius Borges Tadeu, infectologista formado pelo Hospital das Clínicas/UFMG e Idealizador do canal de Youtube “Doutor Maravilha: saúde LGBT”, o conselho é simples: Não reprima suas emoções.

“Chore. Esperneie. Revolte-se (sem se machucar). Liberar toda a raiva, frustração e medo após o diagnóstico faz parte do próprio tratamento. Há uma espécie de luto inicial que se assemelha àquelas célebres fases de Kubler-Ross (negação, raiva, barganha, depressão e aceitação) na vida do soropositivo recém-diagnosticado.

Ninguém opta por viver esta realidade, mas já que ela existe, é possível vivê-la da melhor maneira possível e com muita qualidade de vida. Não digo que viver com HIV seja trivial, mas digo que é incrivelmente mais fácil do que já foi. O preconceito está sendo desbancado a cada dia, o tratamento evolui a passos firmes e temos ainda o horizonte da cura.

Por isso, respire fundo. Procure ajuda especializada para tirar todas suas dúvidas.

Psicólogos, infectologistas e demais profissionais capacitados estão preparados para respondê-las.”

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