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O Impacto De Antidepressivos Na Obesidade

A obesidade e a depressão são doenças que podem atingir pessoas de qualquer faixa etária e de qualquer gênero. E, infelizmente, essas duas patologias vêm aumentando consideravelmente nas últimas décadas atingindo milhares de pessoas ao redor do mundo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera a depressão uma epidemia global, visto que aproximadamente 300 milhões de pessoas sofrem com esse transtorno. Só no Brasil, a depressão atinge 5,8 da população.

Também segundo a OMS, no mundo todo há mais de 2 bilhões de pessoas com sobrepeso ou obesidade. Dentro desse número, estima-se que a obesidade atinge 1 a cada 8 adultos. No Brasil, uma pesquisa feita pelo Ministério da Saúde apontou um aumento de 67,8% no número de obesos nos últimos treze anos. Por isso, essa enfermidade também é considera uma epidemia.

Ambas as doenças prejudicam a qualidade de vida e a autoestima de quem sofre com elas e, algumas vezes, elas podem caminhar juntas. A baixa autoestima causada pela obesidade e o preconceito podem influenciar no desenvolvimento do transtorno depressivo e, em contrapartida, o uso de algumas classes de medicamentos antidepressivos podem contribuir para um aumento significativo do peso de quem se trata com eles.

O que é obesidade?

A obesidade se caracteriza pelo acúmulo excessivo de gordura corporal. Ela pode estar relacionada com diversos fatores, mas, especialmente, com questões genética, biológicas e socioeconômicas.

Além de ser considerada uma doença, a obesidade também se configura como um fator de risco para problemas cardiovasculares e diabetes. A obesidade também pode prejudicar a coluna e as articulações ósseas, prejudicar o aparelho gastrointestinal, causar alterações hormonais e sexuais, causar insônia e trazer dificuldades de respiração.

Dados da OMS dão conta de que mais de 2 bilhões de pessoas estão com excesso de peso ao redor do mundo e, dentro desse número, há uma população de mais de 300 milhões de obesos.

No Brasil, o sobrepeso e a obesidade têm aumentando consideravelmente nas últimas décadas e já podem ser considerados uma questão de saúde pública.

Para saber se um indivíduo está com sobrepeso ou se é obeso é feito um cálculo de seu Índice de Massa Corpórea (IMS). Para fazer essa conta o peso da pessoa é dividido por sua altura ao quadrado.

Se esse índice estiver entre 25% e 29,9% considera-se que o indivíduo está com sobrepeso. Entre 30% e 34,9% é considerado a obesidade leve. Se a porcentagem for entre 35 e 39,9 é considerada obesidade moderada. No entanto, se o IMS estiver acima de 40% é considerado um caso de obesidade mórbida.

A obesidade mórbida é gravíssima e traz consequências muito severas para o paciente. Pois, nesse caso, o excesso de peso coloca a vida dessa pessoa em risco.      

Além dos riscos para a saúde física, a obesidade pode ter impacto na saúde mental. Há fortes indícios de que pessoas obesas têm mais propensão a sofrer de depressão do que indivíduos com o peso normal. Estudos recentes também têm relacionado a elevação do IMC (índice de massa corporal) como causa de transtornos depressivos. Ou seja, obesidade e depressão estão diretamente associadas e ambas as doenças podem ser classificadas com epidemias globais. 

Relação entre antidepressivos e o ganho de peso:

Todo medicamento tem algum efeito colateral, e o aumento de peso pode ser uma das consequências do uso contínuo de alguns antidepressivos.

Antidepressivos do tipo tricíclico atuam no aumento dos níveis de serotonina, noradrenalina e dopamina no cérebro – neurotransmissores que auxiliam no funcionamento cerebral. Essa classe medicamentosa também regula o humor, o sono e o apetite. No entanto, a regulação da apetência pode ir para um nível acima e fazer com que haja um aumento desregulado do apetite e, consequentemente, ocasionar o aumento de peso que pode contribuir a obesidade.

Estudos recentes, feitos em pacientes que fazem uso de antidepressivos tricíclicos (Amitriptilina, Clomipramina, Desipramina, Imipramina, Nortriptilina, Doxepina), registraram aumento de peso em cerca de 71,4% deles. E esse estudo também constatou que as mulheres tendem a sofrer mais com essa consequência.

Como tratar a obesidade:

A obesidade leve ou moderada pode ser tratada com a implementação de uma dieta bem rigorosa. Exercícios físicos devem se tornar uma prática diária e, algumas vezes, essas práticas devem ser associadas ao uso de medicamentos que inibam o apetite. Isso deve ser um ponto de atenção para pacientes que também estão em tratamento medicamentoso para depressão. Um tratamento não pode anular o outro e, por essa razão, deve haver um diálogo entre o psiquiatra e o médico responsável pelo tratamento da obesidade. A administração medicamentosa deve combinar para não prejudicar a saúde física e mental do paciente, por exemplo, não fazer uso de uma classe de medicamento antidepressivo que seja o tricíclico.   

Em alguns casos, como os pacientes com IMS acima de 40% pode ser considerado o tratamento cirúrgico. A cirurgia bariátrica deve ser feita seguindo à risca uma série de cuidados. É um procedimento muito delicado e que exige muita atenção pré e pós-operatória.

É fundamental que pacientes que sofrem com a obesidade (seja ela combinada ao não com o transtorno depressivo) tenham suporte emocional.

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Referências:

  1. Obesidade: https://www.saude.gov.br/atencao-especializada-e-hospitalar/especialidades/obesidade
  2. Entenda o que são os antidepressivos tricíclicos: https://guiadafarmacia.com.br/entenda-o-que-sao-os-antidepressivos-triciclicos/
  3. OMS considera depressão uma epidemia global: http://hursosantahelena.org.br/noticias/oms-considera-depressao-epidemia-global/
  4. Brasileiros atingem maior índice de obesidade nos últimos treze anos: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/45612-brasileiros-atingem-maior-indice-de-obesidade-nos-ultimos-treze-anos
  5. Obesidade mórbida: http://www.cbcd.org.br/obesidade-morbida/
  6. Uso de antidepressivos, ganho de peso e obesidade: https://cdn.even3.com.br/anais/179572.pdf
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