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Pacientes de Cirurgias de Obesidade Podem Frequentemente Apresentar Transtornos de Saúde Mental

Por Amy Norton

Repórter do HealthDay

 

Terça, 12 de Jan, 2016 (HealthDay News) – Um novo estudo concluiu que muitas pessoas que fazem esse tipo de cirurgia devido a obesidade grau 3 (conhecida antigamente como obesidade mórbida) também apresentam problemas de saúde mental, principalmente depressão e compulsão alimentar.

 

A análise de 68 estudos concluiu que quase ¼ dos candidatos a cirurgia de obesidade tiveram transtorno relacionado ao humor, depressão na maior parte dos casos. Outros 17% tiveram compulsão alimentar, segundo declararam pesquisadores na edição do Jornal Da Associação Médica Americana em 12 de Janeiro.

 

A Cirurgia de Obesidade, conhecida medicamente como cirurgia bariátrica, pode ser uma opção para as pessoas que estão demasiadamente obesas – na média 45 kg acima do peso ideal ou mais.

 

E apesar de os médicos saberem que pacientes têm, na maioria das vezes, problemas psíquicos, não está claro o quão comum eles são, disse o autor do estudo Dr. Aaron Dawes.

 

“O que foi surpreendente para nós é que a depressão e a compulsão alimentar apresentaram-se em dobro do que a média da população americana, em geral, apresenta”, disse Dawes, um cirurgião geral residente da Universidade da Califórnia, Los Angeles.

 

A boa notícia é que a revisão da literatura não descobriu nenhuma evidência clara de que as condições de saúde mental dificultassem que os pacientes perdessem peso após a cirurgia.

 

Isto é reconfortante, disse Dawes, porque tem havido algumas preocupações com esta possibilidade.

 

Há formas diferentes de cirurgia de obesidade, mas todas geralmente alteram o trato digestivo para limitar a quantidade de comida que uma pessoa pode ingerir. Candidatos a cirurgia, observa Dawes, têm que se comprometer com uma nova forma de se alimentar; perder peso e se manterem saudáveis – e tem havido questionamentos se, pessoas com estados psíquicos debilitados, tem condições de lidar com as alterações pós-cirúrgicas.

 

“Esta análise não confirma o preceito de que estes pacientes pioram”, disse Dawes.

 

Contudo, acrescenta ele, as descobertas mostram quão importante é considerar o estado mental dos candidatos a cirurgia de obesidade.

 

“Médicos precisam estar cientes de que os problemas psíquicos são comuns entre estes pacientes, e encaminhá-los para tratamento, se necessário”, disse Dawes.

 

É padrão os pacientes serem submetidos a uma triagem psiquiátrica antes de se submeterem à cirurgia de perda de peso.

 

Isto é geralmente feito por um profissional de saúde mental, que avisa a equipe cirúrgica sobre quais procedimentos adotar se o paciente tem um quadro psiquiátrico, disse o Dr. Bruce Wolfe, um cirurgião bariátrico da Universidade de Ciência & Saúde do Oregon, em Portland.

 

“Os Transtornos mentais são definitivamente comuns em indivíduos com obesidade mórbida, sendo assim, a avaliação é importante”, disse Wolfe, que não fez parte do estudo.

 

Mas, ele ressaltou que, um diagnóstico de problemas psíquicos não desqualifica, automaticamente, alguém de se submeter a cirurgia, o que os pacientes às vezes temem.

 

Uma pessoa com quadro moderado de depressão seria tratada de modo diferente de alguém que tem pensamentos suicidas, por exemplo, disse Wolfe. O suicida não seria um candidato à cirurgia; o paciente depressivo pode se submeter ao procedimento e receber terapia contra a depressão – ainda que paire a questão se ela deva ocorrer antes ou depois da cirurgia, observou ele.

 

No que se refere à compulsão alimentar, ele disse, pode parecer que a situação excluiria as pessoas de se submeterem a cirurgia de obesidade, uma vez que que elas devem limitar rigorosamente o consumo alimentar.

 

Mas, de acordo com o que o artigo mostra, estudos têm descoberto que as pessoas com o transtorno se saem bem ou mal, exatamente como outros pacientes, disse Wolfe.

Isso pode ser parcialmente correto, pois muitos fazem terapia para suas compulsões alimentares, disse Wolfe. Mas ele disse que a cirurgia tem efeitos nos sistemas hormonais e nervosos que podem diminuir a compulsão.

 

Baseado na revisão da literatura, as pessoas com depressão também podem apresentar melhora após a cirurgia. Nos artigos avaliados, a prevalência de depressão caiu de 8% a 74% após a cirurgia dependendo do estudo. A gravidade dos sintomas depressivos também caiu – entre 40% a 70%.

 

“Não estamos sugerindo que qualquer um se submeta a cirurgia bariátrica para tratar sua depressão”, disse Dawes. Mas, ele acrescenta, é encorajador que a depressão tenha se tornado menos incidente no pós-cirúrgico.

 

De acordo com Dawes, o fato de problemas psíquicos terem sido tão comuns neste estudo pode ajudar a dar sustentação a alguns dos “estigmas” que os pacientes sentem.

 

“Você não está sozinho”, disse ele.

 

Wolfe concordou. “Problemas psíquicos devem ser considerados outro conjunto de causas potenciais da obesidade mórbida, assim como diabetes ou pressão alta”, disse ele.

 

 

Fontes: Aaron Dawes, M.D., cirurgião geral residente, David Geffen Escola de Medicina, Universidade da Califórnia, Los Angeles; Bruce Wolfe, M.D., cirurgião, Universidade de Saúde & Ciência de Oregon, Portland; 12 Jan., 2016, Jornal da Associação Médica Americana.

Artigo original disponível em: MedicineNet.

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