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Refugiados e saúde mental

Segundo dados da Agência da ONU para Refugiados, um total de 79,5 milhões de pessoas foram forçadas a abandonar seus lares até o final do ano de 2019. Isso significa que cerca de 1% da população mundial encontra-se em situação de refúgio. E a grande maioria dessas pessoas nunca mais voltará para seu local de origem.

Essa mudança de vida, repentina e traumática, tem um impacto muito forte na saúde mental dos refugiados. Por essa razão, essas pessoas precisam ser acolhidas e amparadas pela nova sociedade da qual farão parte.  

O que são pessoas refugiadas?

Refugiados são pessoas que são forçadas a deixar seu país de origem devido às seguintes questões: conflitos armados; grupo social ao qual pertencem; guerra; nacionalidade; perseguição racial, religiosa ou política e violação dos direitos humanos.

Assim, por temerem perseguições ou para escaparem da fome e da miséria ou para protegerem a própria vida e a vida de seus familiares, essas pessoas são obrigadas a se deslocarem em busca de segurança e de uma melhor qualidade de vida. Estima-se que 80% das pessoas em situação de refúgio saíram de territórios de insegurança alimentar e graves índices de desnutrição.

Na grande maioria dos casos, pessoas refugiadas não podem voltar para seu país de origem por risco de prisão ou de morte. E, dos 79,5 milhões de refugiados do mundo todo, calcula-se que 60% fugiram de apenas 5 países: Síria, Venezuela, Afeganistão, Sudão do Sul e Mianmar.

Infelizmente, a cada ano, o número de refugiados vem aumentado. Só no ano de 2019 (segundo dados da ONU), cerca de 2 milhões de pessoas solicitaram refúgio.

E, além das dores de uma migração forçada, os refugiados ainda podem trazer em sua bagagem os seguintes traumas: exposição à guerra e à violência; fome; violência sexual e tortura.  

Problemas de saúde mental enfrentados por refugiados:

Ser forçado a deixar seu país de origem é uma experiência muito difícil e dolorosa. Muitas vezes, pessoas refugiadas são forçadas a abandonarem seus lares da noite para o dia e têm que deixar para trás seu lar, seus pertences e seus familiares. A rota de fuga para que possam se deslocar para um país mais seguro costuma ser cheia de desafios e situações humilhantes.

Quando pessoas refugiadas chegam ao país de acolhida, elas precisam enfrentar outras questões bem delicadas. A saudade de parentes e de casa, a solidão, a intolerância, o estresse de se adaptar em uma nova cultura e aprender um novo idioma e o racismo podem ser bem angustiantes e expor algumas dessas pessoas à problemas de saúde mental. Estudos indicam que pessoas em situação de refúgio têm de 1% a 2% mais chances de apresentarem distúrbios psicológicos leves ou moderados.

O diagnóstico psiquiátrico mais comum em refugiados é o Transtorno de Estresse Pós-Traumático, especialmente daqueles que vieram de zonas de guerra e conflitos armados. Frequentemente, o diagnóstico de TEPT vem acompanho do diagnóstico de distúrbio depressivo.

Embora em menor número, também é possível detectar em algumas pessoas refugiadas o aumento de consumo de álcool e outras drogas, dor crônica, comportamento autoagressivo e ideação suicida. Estima-se que entre o número total de refugiados, apenas 3% ou 4% possam sofrer de distúrbios psicológicos mais sérios como psicose e transtorno bipolar.  

Suporte emocional para pessoas refugiadas:

Muitas pessoas em situação de refúgio sentem constrangimento ou não têm recursos para buscar ajuda. Mas elas estão entre as pessoas que mais necessitam de apoio psicológico e acolhimento.

Por isso, políticas de integração social são essenciais para que essas pessoas possam se sentirem integradas no país que as acolheu. E, os serviços de saúde, devem fazer intervenções preventivas focadas nessa população. Em uma boa parte dos casos, a terapia cognitiva comportamental é de grande ajuda para a adaptação e recuperação dos refugiados.

De acordo com os últimos dados levantados, o Brasil acolheu mais de 11 mil refugiados e existem locais de apoio para essas pessoas que precisam ser divulgados:

  • Caritas: fundada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, atua em 450 cidades do país como rede de apoio para imigrantes e refugiados. http://caritas.org.br
  • Abraço Cultural: com serviços oferecidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, essa organização promove a troca de experiências empregando refugiados para compartilharem sua cultura e dar aulas de seu idioma de origem. http://caritas.org.br
  • Compassiva: atua na cidade de São Paulo acolhendo refugiados em situação de vulnerabilidade social. http://compassiva.org.br/
  • Missão Paz: oferece atendimento de saúde mental e física para refugiados de mais de 70 nacionalidades. Além disso, também dá assistência social e jurídica: http://compassiva.org.br/
  • Programa de Apoio para a Recolocação de Refugiados: atua na integração de refugiados na sociedade brasileira por meio do próprio trabalho. http://compassiva.org.br/

Para acessar esse e outros conteúdos, acesse nossas redes sociais e compartilhem! Até breve!

Referências:

  1. Refugiados e saúde mental-acolher, compreender e tratar: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862017000100010
  2. Dados sofre refúgio: https://www.acnur.org/portugues/dados-sobre-refugio/
  3. Dados sofre refúgio no Brasil: https://www.acnur.org/portugues/dados-sobre-refugio/dados-sobre-refugio-no-brasil/
  4. 5 ONGs para ajudar refugiados no Brasil: https://rme.net.br/2019/08/28/5-ongs-para-ajudar-os-refugiados-no-brasil/
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