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Síndrome de Down e saúde mental

A síndrome de Down, ao contrário do que muitos imaginam, não é uma doença e, sim, uma alteração genética; caracterizada pela presença de uma terceira cópia do cromossomo 21 em todas as células do organismo, também conhecida como trissomia.

Presente na espécie humana desde sua origem – e descrita pela primeira vez há mais de 150 anos – a Síndrome de Down é a primeira causa conhecida para a descapacidade intelectual.

Favorecimento de quadros patológicos

Além do atraso intelectual, que é um traço presente em todas as pessoas com esta deficiência, a alteração genética causadora da síndrome pode favorecer uma maior incidência de doenças que podem afetar sua capacidade cognitiva e de comunicação.

Nesse cenário, pelo menos mais da metade das crianças e adultos com Síndrome de Down enfrentam algum tipo de problema relacionado à sua saúde mental, como:

  • Ansiedade geral, comportamentos repetitivos e obsessivo-compulsivos;
  • Comportamentos opostos, impulsivos e desatentos;
  • Dificuldades relacionadas ao sono;
  • Depressão;
  • Condições do espectro do autismo; e
  • Problemas neuropsicológicos caracterizados pela perda progressiva de habilidades cognitivas.

Consequências para a Saúde Mental

Frequentemente originadas como uma reação a algum estressor psicossocial ou ambiental (doença, separação, perda de uma figura de apego, etc.), as alterações de comportamento são comuns em indivíduos com Síndrome de Down.

Para entender melhor este padrão, separamos os casos baseados em dois dados importantes: a idade e a característica de desenvolvimento.

Sendo assim, temos o grupo formado por Crianças jovens e em idade escolar com LIMITAÇÕES em habilidades de linguagem, comunicação, cognição e habilidades não-verbais de resolução de problemas.

Neste caso, estão mais propensos a apresentarem:

  • Comportamentos disruptivos, impulsivos, desatentos, hiperativos e de oposição
  • Comportamentos ansiosos, ruminantes e inflexíveis
  • Déficits no relacionamento social, comportamentos estereotipados repetitivos, auto imersos
  • Dificuldades crônicas do sono, sonolência diurna, fadiga e problemas relacionados ao humor

Por outro lado, temos o grupo formado por Crianças e adolescentes em idade escolar, bem como adultos jovens com Síndrome de Down com MELHOR linguagem e habilidades de comunicação e cognitivas.

Este grupo apresenta maior vulnerabilidade em termos de:

  • Depressão, retirada social, interesses diminuídos e habilidades de enfrentamento;
  • Ansiedade generalizada;
  • Comportamentos obsessivo-compulsivos;
  • Regressão com declínio na perda de habilidades cognitivas e sociais;
  • Dificuldades crônicas do sono, sonolência diurna, fadiga e problemas relacionados ao humor

Já na categoria de Adultos mais velhos,podemos observar maior vulnerabilidade a:

  • Ansiedade generalizada;
  • Depressão, retraimento social, perda de interesse e autocuidado diminuído;
  • Regressão com declínio nas habilidades cognitivas e sociais;
  • Demência.

Vivendo com a Síndrome de Down

As pessoas com Síndrome de Down têm muito mais em comum com o resto da população do que diferenças. Apesar dos atrasos cognitivos, entre outras condições físicas, são pessoas bem-humoradas, capazes de amar e aprender. Portanto, devem frequentar a escola como qualquer outra criança, para que possam assim levar uma vida autônoma, com dignidade e respeito, encontrando seu espaço próprio na sociedade.

Se você tem alguém na família que apresenta essa condição, procure por profissionais de saúde mental especializados em lidar com a Síndrome Down ou, pelo menos, com experiência em trabalhar com crianças e adultos com transtornos do desenvolvimento. Isso pode significar uma conversa com um pediatra ou clínico geral, por exemplo. O importante é oferecer ferramentas para que cada um desenvolva suas capacidades no seu próprio ritmo, contanto sempre com o apoio e incentivo das pessoas q

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