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A Terapia Ocupacional na Saúde Mental

Seguindo com os conteúdos sobre visões específicas de cada profissional da saúde sobre o tema Saúde Mental, hoje entenderemos como funciona a abordagem de um Terapeuta Ocupacional.


Historicamente, o tratamento das pessoas com algum tipo de transtorno mental era realizado no modelo manicomial e após a reforma psiquiátrica esse modelo evoluiu para uma abordagem humanizada, centrando o tratamento no indivíduo e não na doença e/ou sintomas, trazendo outras formas de cuidado e fugindo da lógica de internação. Um exemplo disso são os serviços da Rede de Atenção Psicossocial.

A abordagem da Terapia Ocupacional na Saúde Mental

A abordagem do profissional de Terapia Ocupacional pode ser realizada na maioria dos serviços da Rede de Atenção Psicossocial. Os transtornos com maior prevalência estão relacionados ao TEA – Transtorno do Espectro do Autismo (em crianças) e a depressão e ansiedade (população adulta), assim como transtornos considerados severos e/ou persistentes, como: esquizofrenia, dependência química e uso de crack ou outras drogas.

O terapeuta ocupacional utilizará seus conhecimentos e intervenção no campo da saúde, da educação e esfera social para desenvolver ações baseando-se na atividade Humana. Os objetivos de tratamento com o indivíduo serão focados na retomada da autonomia e independência, intervindo de forma direta nas atividades de vida diária, atividades de vida prática, atividades de lazer e sociais, possibilitando o resgate dos papéis ocupacionais, da identidade social, dos vínculos e projetos de vida interrompidos.

Na construção terapêutica ocupacional é importante dar atenção integral à saúde, globalizante e na perspectiva da totalidade, subjetividade e singularidade do indivíduo, ou seja, deve partir da necessidade do indivíduo, valorizando seu histórico ocupacional e sua identidade sociocultural.

As atividades propostas para o tratamento podem ser escolhidas livremente pelo indivíduo ou sugeridas, prescritas ou determinadas pelo terapeuta desde que a atividade respeite o objetivo terapêutico e seja significativa para o indivíduo.

Faz-se necessário abandonar a ideia de ocupar por ocupar, presente nos primeiros hospitais psiquiátricos, com objetivo de reconhecer o sujeito que cria, atua, reconhece, organiza e gerencia seu cotidiano concreto.

O terapeuta ocupacional será um agente facilitador e estimulador, possibilitando que o sujeito aprenda, erre e troque experiencias. Assim, o sujeito, de forma gradativa, deixará de ser um sinalizador de sintomas para um sujeito que se reconhece no mundo e entende seus valores e interesses, dentro das relações interpessoais e da própria sociedade.

A reabilitação psicossocial baseia-se no objetivo de dar ao individuo uma estruturação/restruturação do seu cotidiano e sua autonomia, gerando assim qualidade de vida.

Isso só será possível de alcançar com a união das várias redes de serviços existentes e com o trabalho da equipe multidisciplinar envolvida no processo.

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