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A Saúde Mental dos Professores

Já faz alguns anos que a Saúde Mental é, de longe, a principal razão entre os motivos de adoecimento e afastamento dos professores da rede pública.

O acúmulo de cargos (buscando melhor salário), ambiente estressante (em alguns casos, perigoso) e sensação de falta de valorização compõem um quadro alarmante, responsável pelo aumento de número de licenças por transtornos mentais e comportamentais, ano após ano.

Entre as principais queixas relatadas por docentes, encontram-se: 

  • Crescente falta de respeito dos alunos para com os professores;
  • Grande número de alunos por sala (mais barulho, bagunça);
  • Cansaço pelo acúmulo de cargos;
  • Medo de ameaças (próprios alunos e pais).

O peso do ‘educar’

Apesar da criação de medidas de apoio e assistência ao docente, o acompanhamento do quadro mental dos mesmos ainda é muito abaixo do ideal, e isso traz um custo na vida destes profissionais.

Segundo o psicólogo Rodney Querino Ferreira da Costa, pesquisador com foco na saúde escolar e de docentes, o excesso de estímulos a que todos somos expostos constantemente e que nos exigem atenção e resposta imediata – principalmente por conta da internet e redes sociais – exercem um papel fundamental, não importa a profissão.

Juntamos esse desgaste de energia psíquica ao dia a dia de um professor, sempre submetido à sobrecargas de tarefas estressantes, e temos um ciclo vicioso: O profissional de educação doente produz menos; isso se reflete na queda de aprendizado do aluno e que, por fim, se traduz em um ambiente escolar de mais atrito e nocivo.

Sobrecarga

A grande quantidade de alunos por sala aumenta o desgaste da relação professor aluno, mas também faz crescer os dramas humanos dessas famílias que, incontrolavelmente, são transportados para dentro da escola.

Nestes casos, o professor já passa a exercer um papel de psicólogo e, até mesmo, assistente social, entrando em contato com pais e mães, buscando orientar e conscientizar sobre diversos assuntos.

Ter que lidar com a angústia e sofrimento dos outros no dia a dia de trabalho causa uma carga mental muito grande. Os professores estão entre o grupo de profissionais que, apesar de não possuírem a formação adequada para lidar com esse tipo de situação, se encontram em uma posição determinante na formação emocional de milhares de jovens.

Vulnerabilidade

Além do desgaste mental e a dificuldade cada vez maior de criar vínculos com os alunos, os professores não se sentem amparados para exercer seu trabalho, experienciando medo dentro da própria sala de aula e sendo ameaçados por pais e pelos próprios alunos.

Da violência mundana da guerra às drogas, que atingem as escolas das periferias, até o aumento geral da agressividade do aluno no ambiente escolar, esses sãos desafios que pesam ainda mais na carga emocional dos professores e leva a milhares de pedidos de licença médica (mais de 53mil somente no ano de 2018).

Acompanhamento Psiquiátrico e Readaptação

Nos últimos anos, podemos encontrar diversos professores de redes públicas que já tenham tirado licenças por conta da saúde mental e que, hoje em dia, se encontram na categoria de ‘readaptados’.

Entre os quadros mais comuns apresentados por professores readaptados estão: a fobia social, os transtornos bipolar, de depressão, de ansiedade e a síndrome do pânico.

O termo readaptado significa que o profissional de educação retorna à instituição de ensino, mas sem exercer o papel de professor. Ao invés disso, é utilizado para tarefas auxiliares de escritório, recepção, entre outros.

Essa é outra queixa recorrente dos docentes: além de não haver uma adaptação do seu trabalho em relação à sua condição mental, se sentem negligenciados pelo mau aproveitamento das suas capacidades.

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