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Dia Internacional da Igualdade da Mulher

Neste artigo especial sobre o Dia Internacional da Igualdade da Mulher, iremos analisar algumas histórias emblemáticas e suas personagens, que se tornaram fundamentais na causa dos direitos feministas no Brasil.

Para começar, podemos afirmar que a luta pela representatividade feminina nacional vem de muito tempo em nossa história, mas o primeiro registro de um impacto na sociedade patriarcal data na época do Brasil oitocentista.

O Sexo Feminino

Ainda sob o regime do Império, um periódico voltado exclusivamente para os interesses das mulheres surgiu em Minas Gerais, causando emoções variadas a seu respeito.

Em 1873, o ano em que o periódico O Sexo Feminino começou a circular, apenas os rapazes tinham o direito de cursar o ensino superior; o máximo que uma mulher podia sonhar era estudar para ensinar primeiras letras.

A responsável pela fundação e redação do jornal foi a mineira, Francisca Senhorinha da Motta Diniz, uma das primeiras feministas que despontaram na imprensa, nos finais do século XIX.

De lá para cá, muita coisa mudou.

Cada vez mais mulheres conseguem se afirmar como protagonistas de movimentos importantes; desde percursoras de correntes artísticas como Djanira, Georgina Albuquerque e Tarsila do Amaral, mais precisamente na Semana de 22; da resistência feminina rural, liderada por Margarida Maria Alves, e que deu origem à Marcha das Margaridas; e na esfera política-cultura, da militância de “Pagu” e Bertha Lutz, até nossa primeira presidente eleita, Dilma Rousseff.

Apesar de ofuscadas por uma história narrada sob a ótica de uma sociedade “dominada” por homens brancos cis heterossexuais, o que não faltam são pintoras, escultoras, escritoras, atrizes, cientistas e políticas, que foram rebeldes e desafiaram o status quo, em busca de maior representatividade feminina e discussão de interesses das mulheres no espaço público.

Essas “conquistas” em muito se deram por conta do papel fundamental das mulheres no processo de redemocratização do Brasil, no final dos anos 80.

Política da Mulher

Com o eminente fim da ditadura militar e a luta pelo surgimento da democracia eleita, esse conjunto de mulheres enxergou neste pano de fundo de mudanças uma excelente oportunidade para inserir mais pautas feministas no novíssimo estado brasileiro.

Pela primeira vez na história do país, um grupo de mulheres foi eleito e, apesar de ainda representarem uma baixa porcentagem dentro da política, elas conseguiram implementar medidas que abririam o caminho para a formação de novos grupos de atuação, assim como algumas leis voltadas para dar voz aos interesses femininos.

No entanto, para algumas dessas mulheres o que realmente mudaria o cenário era a busca pela igualdade de direitos por outras vias, não apenas através jogo institucionalizado e mecanizado da esfera política e afiliação de partidos, um espaço notoriamente já controlado pela esmagadora maioria masculina.

Entre as principais pensadoras da época, Marilena Chauí era uma das maiores defensoras da transformação do espaço público em um mecanismo de exercício da política diária. Para Chauí, sem espaço público não há política, não há movimento, as sociedades se congelam.

Segundo a autora, o espaço público é uma arena de debates e de conflitos que vão gerar a ética e a política, do qual devem participar todos os setores da sociedade, principalmente os que sofrem a exclusão historicamente construída, como no caso, as mulheres.

Essa abertura viria a surtir efeito, culminando na criação de diversos grupos igualitários pró-feminismo, como os Conselhos da Condição Feminina e as Delegacias de Defesa da Mulher.

Ampliação do pensamento igualitário

O crescimento da participação das mulheres nas políticas públicas possibilitou que se olhasse para a sociedade como um todo, identificando quais as áreas mais carentes de reforma e adaptação. Essa análise tornou as atenções feministas a um problema enraizado no brasileiro: o impacto na educação.

Segundo o artigo de Tânia Marcelino Brabo, “Educação e democracia: O papel do movimento feminista para a igualdade de gênero na escola”, ela conclui:

“Pode-se afirmar que a cultura democrática é ainda hoje um projeto não concluído, tanto na escola pública quanto na sociedade em geral, embora haja indícios de mudanças, vivemos ainda o processo de redemocratização.”

De acordo com a autora, a pedagogia do movimento feminista ainda é atual e necessária. Há necessidade de investimento na formação de educadores sensíveis à questão de gênero nos cursos de formação inicial e em continuidade. Pesquisas ainda mostram que a questão de gênero é invisível aos olhos dos educadores e das educadoras, apesar de constar das políticas educacionais. A escola ainda cumpre o papel de reforçar estereótipos e papéis específicos para ambos os sexos, o que contribui para a desigualdade de género.

Conclusão

Essas mudanças, seja no âmbito educacional ou político, não irão acontecer do dia para a noite. Apesar de aparentar uma jornada em ascensão, as questões de igualdade de direitos entre homens e mulheres já percorreu um longo caminho e precisam cada vez mais do apoio da sociedade. Por isso, é vital que o debate continue sendo a principal ferramenta transformadora e, por consequência, que o espaço público funcione como um local seguro, respeitoso e empoderado.

Discuta a igualdade de gênero no seu dia a dia, mostre seu ponto de vista e ajude a tornar nosso país um lugar justo para todas.


Fontes:

“Memória Feminina – Mulheres na História. História de Mulheres”

Educação e democracia: O papel do movimento feminista para a igualdade de gênero na escola

A Importância da Mulher

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