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Lugares proporcionam mais bem-estar do que objetos, diz estudo inglês

Dizem que o poeta W. H. Auden foi o primeiro a usar a palavra “topofilia” para descrever uma forte sensação emocional por um lugar específico.

Pesquisas científicas de ponta, que fazem uso de imagens cerebrais, sugerem que o neologismo de Auden faz sentido. De acordo com um estudo encomendado pelo Fundo Nacional para Locais de Interesse Histórico ou Beleza Natural da Inglaterra (National Trust), as pessoas experimentam um sentimento intenso de bem-estar, satisfação e pertencimento quando estão em lugares que evocam memórias positivas muito mais do que quando são expostas à sensações causadas por objetos pessoais, como fotografias ou anéis de casamento.

Um estudo de imagem de ressonância magnética funcional (fMRI), encomendado pela entidade inglesa, tem procurado “entender melhor este sentimento visceral, mas intangível”.

O relatório do National Trust, Places That Make Us, foi feito por acadêmicos e pesquisadores da Universidade de Surrey, utilizando exames fMRI, bem como entrevistas em profundidade com voluntários, além de uma pesquisa on-line com 2.000 pessoas, sobre seus lugares especiais.

“Trabalhando com grandes pesquisadores e acadêmicos, e usando a tecnologia de ponta para imagens de ressonância magnética do cérebro, examinamos como os lugares afetam as pessoas, como eles se tornam especiais e por que sentimos uma atração por eles”, disse Nino Strachey, chefe de pesquisa realizada para o National Trust.

O estudo descobriu que lugares intensamente significativos invocam uma sensação de calma, espaço para pensar e um sentimento de completude.

Os pesquisadores avaliaram a atividade cerebral de 20 voluntários, conforme foram exibidas imagens de paisagens, casas, outros locais e objetos de significado pessoal. Ao invés de objetos, foram os lugares, com fortes laços pessoais, que fizeram com que seus cérebros se excitassem. Especificamente na amígdala, uma área do cérebro associada a respostas emocionais, que foi muito ativada.

“Portanto, podemos concluir que os lugares significativos provavelmente possuem maior importância emocional do que os objetos, já que as áreas do cérebro envolvidas no processamento emocional respondem mais fortemente a lugares significativos”, afirma o relatório.

“O uso de fMRI abre uma janela para o cérebro, permitindo explorar respostas emocionais automáticas e difíceis de serem verbalizadas”, diz Bertram Opiz, professor de neuroimagem e neurociência cognitiva na Universidade de Surrey e nas instalações de fMRI Cubic, onde foram realizados os testes.

Voluntários analisaram imagens de 10 lugares e 10 objetos significativos para eles. Foram também mostradas 10 imagens de lugares e objetos cotidianos, e 10 imagens positivas e 10 negativas, quantificadas pelo conteúdo emocional. Cada imagem foi apresentada três vezes.

Foram identificadas três áreas de resposta, a amígdala esquerda, que desempenha um papel chave no processamento automático de emoção; o córtex pré-frontal medial, que avalia uma emoção como positiva ou negativa, e o para-hipocampo, que responde a lugares pessoalmente relevantes.

Os voluntários foram entrevistados em profundidade duas vezes – em casa e no seu lugar significativo.

A pesquisa mostrou que os lugares favoritos estimularam uma sensação de pertencimento, de estar fisicamente e emocionalmente seguro, e de uma forte atração interna pelo lugar. A maioria dos questionados (86%) concordaram que “este lugar é parte de mim”, enquanto 60% se sentiram “muito seguros aqui” e 79% descreveram ter “uma atração magnética pelos seus locais favoritos”.

Segundo o estudo, a resposta emocional do cérebro a lugares especiais era muito maior do que para objetos significativos. Dois terços dos entrevistados (64%) disseram que seu lugar especial fez com que eles se sentissem calmos, enquanto 53% disseram que foi como fugir da vida cotidiana. Entre os jovens, 67% disseram que seu lugar significativo ajudou a formar a pessoas que se tornaram.

O Dr. Andy Myers, consultor na pesquisa, disse: “Pela primeira vez, conseguimos provar os benefícios físicos e emocionais do lugar, muito além de qualquer pesquisa feita anteriormente”.

“É fascinante ver como a resposta significativa de áreas do cérebro conhecidas por processar a emoção mostra como essa conexão entre pessoas e lugares é realmente profunda”, afirma Myers.

 

Artigo original disponível em The Guardian.

 

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